luz e sombra na arquitetura
LIGHT AND SHADOW IN ARCHITECTURE
ombre et lumière dans l'architecture

11 de set de 2011

gótico 2


 























Sainte-Chapelle: Paris, 1242-1248


Após as fases primitiva e clássica do gótico, inicia-se o PERÍODO GÓTICO TARDIO (aprox. de 1250 a 1530) da história da arquitetura. Essa fase final da arquitetura gótica é marcada por uma abundância de elementos decorativos, que representam folhagens, troncos, galhos, em linhas rebuscadas e fluidas. As igrejas contêm uma profusão de esculturas dos santos, cujas vestimentas são também rebuscadas, com muitas pregas. Houve poucas transformações espaciais e a principal delas foi a unificação do espaço. As igrejas desvincularam-se da planta basilical e surgiram as igrejas-salão: as naves laterais passaram a ter a mesma altura da nave central e, assim, o clerestório desapareceu. 
 
Na França, esse período é representado pelas fases rayonnant e flamboyant, que significam "radiante" e "flamejante", respectivamente. Tais denominações, além de indicar a forma dos elementos decorativos em pedra das janelas, podem nos indicar também como a luz, filtrada e colorida pelos vitrais, é o principal elemento estético daquelas igrejas. Na Sainte-Chapelle, um dos mais belos e representativos exemplos do gótico rayonnant, a superfície dos panos de vitrais em relação às superficies opacas foi levada ao extremo e preenche praticamente toda a envoltória da capela. Há um contraste absoluto entre o peso do exterior e a leveza do interior da capela: seus pilares robustos e pouco espaçados, quando vistos por fora,  sao imperceptíveis quando se entra no santuário, inteiramente banhado de luz e cor através dos seus imensos vitrais verticais, sem qualquer marcação horizontal. As nervuras dos pilares projetam-se sem interrupção até as abóbodas, acentuando a verticalidade do espaço que parece lançar-se para o céu (ver fotos acima).

Já na Inglaterra, o período gótico é dividido em três fases: early english (correspondente ao gótico primitivo e clássico), estilo “decorado” e o estilo “perpendicular” (correspondente ao gótico tardio na Espanha, Alemanha e França). O estilo “decorado” é representado pelas catedrais de Bristol e de Ely. Nelas, os olhos do observador não são mais atraídos pelos impulsos leste e vertical dominantes das catedrais góticas clássicas, mas para todas as direções ao mesmo tempo. Surgem os pilares compósitos, que possuem capitéis apenas em alguns fustes, enquanto os outros lançam-se ininterruptamente até se inserirem nas abóbadas. E os arcos transversos das abóbadas são reduzidos a elementos secundários, com menor ênfase.

O estilo “perpendicular” inglês retorna a uma arquitetura mais sóbria e de horizontalidade enfatizada. Marcações horizontais nas paredes das naves põem fim ao impulso vertical próprio do gótico primitivo. As paredes continuaram a ser constituídas por grandes painéis de vidro. Ainda havia bastante decoração nas abóbadas, porém mais geométrica, abstrata. As nervuras perdem a lógica estrutural, como por exemplo as da catedral de Gloucester, que acabam se transformando numa abóbada de berço, com decoração aplicada sobre sua superfície.


Na Espanha e na Alemanha, a ornamentação foi levada ao extremo. A decoração também era extravagante em Portugal durante o reinado de D. Manuel I (1495-1521), uma época de grande prosperidade. O estilo “manuelino”, que utilizou formas inspiradas em crustáceos e vegetais, sofreu influência da arquitetura da Índia, da África e do Novo Mundo.

Referências bibliográficas:
Cole, Emily, dir. Grammaire de l'Architecture (Dessain et Tolra, 2004).
Pevsner, Nikolaus, Panorama da Arquitetura Ocidental (São Paulo: Martins Fontes, 2002).

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