luz e sombra na arquitetura
LIGHT AND SHADOW IN ARCHITECTURE
ombre et lumière dans l'architecture

27 de mar de 2011

românico

 













Catedral Saint-Pierre: Angouleme, França, século XII
SAINT-PIERRE CATHEDRAL: ANGOULEME, FRANCE, 12th CENTURY


   Fleac
Cathédrale Saint-Pierre: Angoulême, France, XIIème siècle


Rouillac













Cognac
Magnac


Exemplos da arquitetura românica construída com a pedra calcárea da região Charente.
EXAMPLES OF ROMANESQUE ARCHITECTURE BUILT WITH THE LIMESTONE OF THE CHARENTE REGION.
Exemples de l'architecture romane construite en calcaire de la région de la Charente.






Uma breve contextualização do PERÍODO ROMÂNICO (1000-1200) da história da arquitetura:

Após a morte de Carlos Magno, o império carolíngio foi dividido, por meio do Tratado de Verdum (843) em: França Ocidental, governada por Carlos, o Calvo e França Oriental, governada por Luis, o Germânico. Desencadeou-se uma série de lutas internas entre as duas partes, que foram também invadidas por vikings, húngaros e sarracenos (árabes muçulmanos). Assim, não houve grande desenvolvimento das artes e arquitetura até o ano de 950.

Porém, durante esse período ocorreu o desenvolvimento do sistema feudal, o restabelecimento da estabilidade política e o surgimento dos movimentos de reforma monástica. O mais significativo destes ocorreu no Mosteiro de Cluny. Por volta de 965, quando o abade Maieul foi entronizado, começou a se desenvolver o estilo românico. A arquitetura religiosa se transformava no sentido de articular com maior nitidez os espaços internos, em oposição ao caráter escultural da arquitetura greco-romana e ao espaço fluido, etéreo, da arquitetura bizantina e paleocristã.

O surgimento do culto aos santos e à Nossa Senhora, além do costume da celebração diária da missa, fez necessária a criação de um número maior de altares nas naves laterais. Assim, aumentou-se o número de capelas nas igrejas, criando-se, em alguns casos, um plano escalonado, como em Cluny. Em outros, criou-se um plano radial, com capelas ao redor da abside, em absides secundárias nas extremidades dos transeptos e ao longo de sua face oriental, resultando no prolongamento dos transeptos. Nas catedrais, a cadeira do bispo era colocada no fundo da abside e as cadeiras dos sacerdotes e ministros eram dispostas em semicírculo.

A concepção das igrejas e mosteiros era dos membros do clero, pois eram estes que possuíam o monopólio da cultura erudita. Bispos, padres, abades e monges, os únicos que sabiam ler e escrever e tinham acessos às bibliotecas dos mosteiros, preservavam documentos da Antigüidade.

A Inglaterra, agora dominada pelos normandos, adotou outro método de delimitação dos espaços. A arquitetura normanda influenciou a da França no século XI, e lançou as bases da arquitetura medieval inglesa. A articulação criada em suas igrejas, por meio de colunas contínuas do chão até o teto, transmitiam uma idéia de estabilidade, os volumes eram maciços, fortes, compactos, e as formas, simples.

Ao final do século XI, as formas tornam-se mais variadas e sofisticadas, traduzindo a nova maneira, mais emotiva, com que os sacerdotes se comunicavam com os fiéis. O românico primitivo transformou-se no românico clássico, por volta de 1100, e a Catedral de Durham é o marco dessa passagem. Seu teto é uma abóbada ogival, cujas linhas dão continuidade às linhas das colunas, antecipando uma característica do estilo gótico. Este elemento de forte expressividade é o ápice da tendência à articulação da arquitetura românica. Enquanto o exterior nas igrejas paleocristãs não era valorizado, as igrejas românicas deviam expressar grandiosidade tanto no exterior quanto no interior. Foi na Alemanha, no final do século XI, que surgiram as primeiras abóbadas da Europa.

Na Idade Média, a comunicação cultural entre os países se dava principalmente por meio das peregrinações, que tinham - e têm até hoje - como meta a igreja de Santiago de Compostela, iniciada em 1077. O planejamento das igrejas reflete tal comunicação. Houve um forte intercâmbio de idéias, por exemplo, entre o norte da Itália e a Alemanha. As igrejas da Itália, no entanto, ainda estavam mais próximas da tradição paleocristã, sem transeptos alongados. A igreja mais característica da arquitetura italiana desse período é a San Miniato Al Monte, em Florença, construída na passagem do século XI para o XII (fotos abaixo).

Referência bibliográfica:
Pevsner, Nikolaus, Panorama da Arquitetura Ocidental (São Paulo: Martins Fontes, 2002).


 

2 comentários:

  1. Onde está Wally? Ou melhor, o Carlos? hehehe! Essa igreja eu conheço!

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  2. Gostei da mistura, românico com as nervuras góticas e a galilé renascentista…

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